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Gírias e sotaques, como é o processo de localização de WoW: confira no podcast oficial

Episódio tem como tema a Localização em português de WoW

Disponível desde a última quinta-feira (24), o quarto episódio de "Viajantes de Azeroth", podcast com curiosidades de World of Wacraft, trouxe como convidados especiais Robert Wilson, responsável por todo o trabalho de localização em português dentro da Blizzard, e o streamer Yetz.

O podcast é apresentado por Vitor "Jiraya" Mantovani e Fernanda "Nanda" Kruschewsky, e contará no total com 12 episódios - cada um com convidados diferentes e novos tópicos sobre o Universo de World of Warcraft.

Reunimos abaixo alguns momentos marcantes desse bate-papo descontraído e cheio de curiosidades, mas recomendamos que você escute o episódio completo para curtir todas as histórias em seus mínimos detalhes.

Primeiro contato com WoW

Robert - Era uma época bem diferente da minha vida. Eu cursava direito e dedicava meu tempo apenas a um jogo só, e foi aí que uma amiga me recomendou World of Warcraft, que eu já conhecia mais ou menos mas nunca tinha jogado. Eu lembro até hoje que meu primeiro personagem foi um Tauren guerreiro, e apesar de não ter subido muito de nível com ele, foi o suficiente para convencer a jogar, isso em 2007.

Yetz - Meu primeiro contato com WoW foi bem moleque, comecei na Alianca (hoje eu sou Horda há anos), tava na escola e era meu jogo favorito na época. Meu primeiro personagem foi um gnomo warlock que eu nem criei o nome, foi criado por um gerador de nomes e foi um nome bem aleatório.

Elemento favorito no jogo

Robert - O WoW providenciou muitas coisas maravilhosas, mas em 2008 eu comecei a raidar com um grupo fixo, e as raides da Cidadela da Coroa de Gelo foram bem marcantes em 2009, e até quando eu volto lá hoje em dia me desperta boas lembranças. Também gosto de upar, tenho personagens no nível máximo nas duas facções, para poder me aprofundar e vivenciar a história toda de cada lado.

Yetz - O que mais me cativa no WoW é o endgame do jogo. A coisa que ainda me cativa com certeza é raidar, pois eu gostava muito de assistir os vídeos da Paragon na época das competições de Race to World First, que virou meio uma febre.

Como é trabalhar na Blizzard há quase 10 anos

Robert - Tem sido uma experiência sensacional. Desde o primeiro momento trabalhando com a localização do WoW, sendo que a cada ano temos novos desafios e aventuras. Tem sido muito divertido trabalhar na Blizzard, e pra mim é uma paixão trabalhar com idiomas, línguas, tradução e dublagem.

Qual o processo de localização

Robert - É um grande esforço pegar um mundo criado e transformar em algo que faça sentido para outro idioma. Se necessário mudamos algumas referências para transmitir a experiência total, não apenas a tradução de missões e roteiros de cinemáticas.

Yetz - Eu acho que para um novo jogador, principalmente, isso é um divisor de águas muito grande, de você ter o jogo todo localizado, é um trabalho incrível. O cara que não tem acesso ao inglês e quer começar a jogar, ele tem o kit perfeito todo mastigadinho, sem perder qualidade.

Robert - Nosso primeiro dever na localização é criar uma experiência para quem não conhece ainda. Quem já jogou em inglês, pode ter uma experiência nova se jogar em português. Quem joga em inglês mas não tem um domínio no idioma, pode ter uma experiência melhor com a localização, por ser mais fácil de ententer as referências, e assimilar mais fácil o resultado de suas ações.

Quais os critérios para os sotaques e gírias localizadas.

Robert - São detalhes como esses que definem o que é o trabalho de localização. Em inglês, o anão tem um sotaque escocês meio caricato, que é uma característica do personagem, mas o que você vai fazer no português, vai traduzir e dar um sotaque escocês para um anão brasileiro? Não tem nada a ver, você não vai conseguir transmitir a mesma personalidade. Você então escolhe um sotaque que o brasileiro vai entender, como um sotaque gaúcho caricato para o anão, e assim criar uma identidade para o personagem.

Os Dranei são um exemplo sensacional, pois eles não têm um sotaque no português, eles têm uma pronúncia mais padrão, enquanto no inglês eles se aproximam mais para o russo. Para transmistir que eles não são de Azeroth, eles falam como se tivessem aprendido nosso idioma em um livro, utilizando conjugações que nós não usamos mais.

Yetz - Eu gosto muito do jeito que os goblins e trolls falam. A primeira vez que eu ouvi "Vodu é pra Jacu", achei muito engraçado. Você se sente representado, se sente mais próximo do jogo, e eu acho que a Blizzard faz isso muito bem.

Maior dificuldade para localizar WoW

Robert - Um dos maiores desafios foi o tamanho do WoW, que é um projeto enorme e conta com centenas de milhares de palavras na tradução. Quando você inclui todas as revisões de texto, todas as mudanças que acontecem ao longo do projeto da expansão, a equipe de tradução acaba traduzindo mais de 1 milhão de palavras. Em termos de áudio, são mais de 10 ou 12 mil arquivos para uma expansão.

Expectativas para Shadowlands

Yetz - Eu estou muito animado e ansioso, a minha expectativa é muito grande. A Blizzard tem escutado bastate o feedback da comunidade, pois mais importante do que simplesmente trazer o que a galera quer, é você trazer de uma forma que faça sentido.

Robert - Independente do que a Sylvanna fizer, ela vai continuar sendo uma favorita, ela é uma figura impressionante em todos os momentos da história do jogo. O Anduin eu acho que também vai continuar crescendo e impressionando. Já vi gente curtindo os personagens novos como a Rainha do Inverno, e claro o Carcereiro que vai ser uma figura chave e tem uma voz sensacional em português.

Eu aproveitei e perguntei para a equipe de tradução o que eles destacariam para o pessoal ficar de olho, e eles gostaram da tradução de alguns nomes de mascotes engraçadinhos, de vez em quanto têm referências a uma pessoa famosa, talvez vocês encontrem alguns roqueiros famosos. Tem uma música conhecida da cultura popular, também de fantasia, que é tocada por um bardo no jogo. Tem muita coisa, muitas referências para você procurar em Shadowlands.


World of Warcraft: Shadowlands será lançado em 27 de outubro em diversos locais do mundo, e aqui no Brasil a expansão poderá ser acessada algumas horas antes, às 20h00 do dia 26! Confira o novo trailer aqui e veja também os curtas Shadowlands: Pós-Vidas, com Uther de destaque (no primeiro vídeo), com Draka no segundo vídeo, Ardena no terceiro e Revendreth no quarto vídeo. Você pode saber mais sobre a nova expansão em nosso vídeo:

Jornalista de games, cultura pop e nerdices em geral. Email: marcio.pacheco@cardnamanga.com.br . Twitter: @MarcioAPacheco